23 de set de 2013

ASSALTO À MÃO DESARMADA

                                 

ESTE CARINHO PRECISA SER VIA DE MÃO DUPLA.
O que estou retratando neste texto não se aplica a todas as pessoas, porque graças a Deus, existem muitas e belas exceções que enchem seus pais de orgulho, e estes sentem-se orgulhosos por terem gerado filhos maravilhosos.
O que me incomoda é ver o quanto a geração que está se despedindo do mundo é explorada por aqueles que foram criados com carinho. Refiro-me aos sobreviventes que estão acima dos cinquenta anos, que bravamente resistem a tanta mudança tecnológica e de comportamento.
Quando jovens morávamos com nossas famílias, a maneira de nos comportamos era estabelecida pelos pais, praticamente todos éramos obrigados a trabalhar para ajudar no sustento da casa.
O jovem de hoje está demorando mais para sair da casa dos pais, não quer perder a mordomia de ter tudo de graça, e no tempo que quiser. Tem os que se casam ou envolvem-se em algum relacionamento, mas continuam morando com os pais, outros, depois da separação voltam para casa trazendo a tiracolo, filhos, cachorro, periquitos e outros bichos, para os "caseiros" cuidarem, sem ao menos darem-se ao trabalho de perguntarem se os mesmos estão de acordo. 
Os filhos estão transformando a casa dos pais em um motel de luxo, ou em uma creche que presta serviço voluntário. Alguns levam seus namorados ou namoradas para dentro do “seu” quarto, e consequentemente, pais e mães transformam-se em meros porteiros e camareiras.
O grande absurdo é a conivência de alguns pais, principalmente os mais jovens, que acham esse comportamento natural e dizem: os jovens de hoje são assim, “é melhor que seja em casa”.
Os filhos escondem-se atrás de computadores e telefones de todos os tamanhos, com seus fones de ouvidos já não ouvem mais a voz de quem os gerou. Cada um quer ter seu carro, mesmo sem ter condição financeira para mantê-lo, saem pelas madrugadas fazendo pegas, colocando suas vidas e a de pessoas inocentes em perigo. Com seu “som bombado” obrigam os mais velhos a ficarem ouvindo uma barulheira infernal que chamam de música
Os que conseguem um relacionamento estável, constantemente deixam os filhos com os avós para curtirem uma balada, ou simplesmente para passar dias de descanso em uma viagem de lazer. O inacreditável é que nem se lembram de convidá-los para a viagem, onde com certeza, além de fugirem da rotina, poderiam ajudar a cuidar dos pequenos.
Avô e avó que nunca viram o mar, são obrigados a cuidar de netos e bisnetos, para que seus filhos possam passar dias em alguma praia.
Pais, mães, avós e avós estão cuidando dos filhos da irresponsabilidade ética e financeira de quem os gerou. Não é preciso ir longe para constatar, andem nos arredores de uma creche ou de uma escola, verão a quantidade de homens e mulheres já idosos, levando e buscando seus netos, pasmem, carregando as mochilas dos “filhos” que não geraram.
Como toda criança tem a magia do encantamento que muitos pais modernos não conseguem vislumbrar, os avós, mesmo cansados e contrariados, assumem a responsabilidade de cuidar da sua segunda e até da terceira geração, porque os filhos que geraram não se prepararam, para acolher com responsabilidade os frutos de uma transa qualquer, ou vindos de um relacionamento mal resolvido.
Fiquei estarrecido quando uma amiga me chamou para conversar, em prantos, desabafou a desventura de ser obrigada a cuidar de bisnetos, com uma profunda tristeza no olhar reconheceu que não soube criar a filha e suas duas netas, que agora lhe jogaram no colo duas vidas inocentes para cuidar.
Pais e mães são estranhos dentro de sua própria casa
Hoje, de cada dez aposentados, posso afirmar sem medo de errar, oito estão pagando a prestação de um maldito empréstimo consignado que foi efetuado para atender à necessidade financeira, e até para manter o terrível vício de filhos e netos.
E como este é um país de brincadeira, uma lei idiota faz com que os bens de uma família sejam repartidos logo depois da morte de um dos pais. E por esse motivo é comum assistirmos irmãos se digladiando, obrigando aquele ou aquela que não teve a sorte de morrer, a vender o patrimônio construído a dois, para repartir com herdeiros, os bens que eles não ajudaram a construir.  Estes mesmos herdeiros que mesmo sendo criados com carinho não assimilaram as palavras, respeito, decência, e amor no trato com os pais, e por pura ganância, esqueceram que foi graças à união de corpo e alma e coração de seus pais que eles foram gerados.
Sei que algumas pessoas ao lerem este texto vão achar que sou apenas um velho retrógrado, talvez tenham razão, mas prefiro ser chamado de ultrapassado e colocar o dedo na ferida, do que ser mais um, que tudo vê e tudo ouve sem achar que não tem nada a ver com este problema, simplesmente porque ainda não sentiu na pele este assalto à mão desarmada que estão sendo vítimas as pessoas que tiveram a ousadia de envelhecer.
Minha maior preocupação é com a sobrevivência dos filhos desta geração, onde muitos já perderam todos os valores de família, pensam apenas em baladas e drogas, ignorando completamente os sentimentos e sofrimentos daqueles que estão vendo seus filhos, netos e bisnetos perderem-se nas encruzilhadas da vida.


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3 comentários:

  1. Sr. Geraldo,
    Infelizmente essa é a nova realidade, é triste ver os pais sendo injustiçados por uma opção egoísta de seus filhos, mas até onde também lhes pode ser atribuída alguma responsabilidade? Ainda há muitas famílias que preservam o respeito e principalmente a responsabilização de seus filhos por seus atos.
    Abraços,
    Eleonora

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    1. Olá, Eleonora,
      Que bom você ter colocado seu e.mail no comentário, já lhe respondi. Um abraço

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  2. Os jovens não estão vendo futuro nenhum no horizonte...

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