23 de jan de 2013

COMO UMA PRESSÃO ALTA


NINGUÉM PODE SER PRISIONEIRO DE SI MESMO.

 Vejam a Manchete do Jornal Estado de Minas de 20/01/2013: “POR QUE TANTO PRECONCEITO”? “Especialistas atribuem estigma contra portadores de doenças mentais à questão cultural; a Associação Brasileira de Psiquiatria se esforça para incluir a psicofobia no código penal”.
Pasmem!
Eles querem punir uma pessoa que tem medo de alguém com problema mental.
Desde quando ter medo é crime?
Quem tem mais preconceito, a família que não sabe e não tem condições financeiras para cuidar, ou o estado que é omisso e fechou todos os leitos da psiquiatria?
Vejam o que disse o Dr. Paulo Roberto Repssold, diretor da Associação Mineira de Psiquiatria: “O problema é que a maioria das pessoas mantém na memória a ideia da doença que aliena e tira a capacidade de entendimento, como a esquizofrenia, lembram-se do paciente esquizofrênico em permanente estado de surto. Neste aspecto a classe social faz pouca diferença. As classes mais elevadas entendem melhor a doença, mas isso não reduz a capacidade de enfrentar a convivência”.
Ora! Falar sentado confortavelmente em uma clínica bem montada, ou em um gabinete da Associação é muito fácil. Se esse doutor frequentasse a periferia, e pudesse ver in loco o sofrimento de famílias inteiras cuidando de uma pessoa com problema mental, espremidos em um barraco de três cômodos, certamente reavaliaria o seu conceito.
As classes sociais mais elevadas podem e devem entender melhor a doença, eles podem pagar um enfermeiro para cuidar do paciente, ou interná-lo quando e onde quiserem.
Gostaria que esse Dr. Paulo, enquanto psiquiatra, me convencesse que que tipo de mágica um cidadão pode fazer quando precisa sair de casa para o trabalho, depois de mais uma noite mal dormida. Será que esse trabalhador ficaria tranquilo ao deixar mulher e filhos cuidando de uma pessoa que pode surtar a qualquer momento?
Observe as mães que tem os seus filhos com algum distúrbio mental que o torna agressivo, com certeza lágrimas rolarão dos olhos de quem cuida com carinho os deserdados do SUS (Sistema Único da Sacanagem)
Então o que acontece?
Agora que o poder público lava as mãos e não cuida desses pacientes, as famílias que os acolhem, em pouco tempo com certeza serão frequentadores dos Sersans.
Doente mental pobre só tem acesso à psiquiatria quando surta.
Será que esse doutor tomou alguma atitude contrária ao fechamento dos Manicômios, e o desmantelamento dos leitos que acolhiam estas pessoas? Por que ele não lutou para humanizar estas instituições que eram cabides de emprego, cuja terapia era aplicar choques elétricos, e espancar os mais agressivos com a conivência de “profissionais da saúde como psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais, e tantos outros”?
E o doutor continua dizendo “A doença mental é comum em sua maneira de lidar, é como uma pressão alta. Vem o diagnóstico, prescreve-se o medicamento e o paciente melhora e não surta”.
Olha doutor, o senhor vai me desculpar, mas nunca vi uma pessoa com pressão alta agredindo outras pessoas, ou tentando se suicidar simplesmente porque a pressão subiu.
É hora de mudar seus conceitos.
Acho que deveria agendar uma visita à ong CASA DA GENTE, no bairro Indaiá em Belo Horizonte, que foi fundada por Dayse Cristina Pereira para acolher um irmão, e acabou acolhendo outras pessoas que sofriam com o mesmo problema Esta casa foi citada na mesma reportagem com a manchete: “SENTIR-SE EM CASA”.
O senhor poderia aproveitar para também visitar o LAR VICENTINO DIVINO FERREIRA BRAGA em Betim, na grande Belo Horizonte.
Se fizer essas visitas verá o que é cuidar de pessoas com problemas mentais.
Eu me recuso a chamar um asilo de LAR, simplesmente porque uma lei idiota, com o aval de psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais obriga que um espaço ocupado por idosos doentes e abandonados ter que ser chamado de LAR.
Isso me mostra que meu texto MENTE EM MOVIMENTO escrito no dia 16/01/2013 tem tudo a ver.
             

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