14 de dez de 2011

TRAGÉDIA ANUNCIADA


Se o dinhiro dos impostos não fossem roubados, a vida de milhares de pessoas poderia ser muito diferente



Fico ouvindo e vendo as imagens da tragédia no Rio de Janeiro e em muitas cidades do país, e não posso esconder minha indignação.
Todos os anos as manchetes de jornais, revistas, rádios e emissoras de televisão são as mesmas: “TRAGEDIA ANUNCIADA”.
Trabalhadores incansáveis, pagos ou voluntários se desdobram para salvar vidas.
Famílias inteiras são levadas pela lama e pela inércia dos donos do poder que nunca investem em obras para resolver o problema que tem como maior vítima a camada mais pobre da sociedade.  
E os pobres de mostram solidários.
E os pobres choram suas dores na frente das câmeras de televisão, que parecem gostar da tragédia, e alguns repórteres fazem perguntas idiotas tentando arrancar um depoimento mais doído para aumentar pontos no ibope.
E o que fazem os políticos e as autoridades?
A maioria nem sequer toma conhecimento, afinal, moram em mansões que não correm perigo de desabar, em sua grande maioria, construída com o dinheiro roubado dos cofres públicos e que poderia ter sido investido para evitar tanto sofrimento.
E eles precisam dos pobres somente de quatro em quatro anos.
O prefeito e o governador quase sempre visitam o local e prometem que naquele local isto nunca mais vai acontecer e que vão resolver os problemas das vitimas.
Balela!
Porque a imprensa não procura os atingidos das tragédias anteriores para verificar se a vida de quem sofreu alguma perda foi amenizada?
Se deixaram de morar em área de risco, se o governo providenciou uma moradia digna para todos os desabrigados.
Tenho certeza absoluta que os “herdeiros” das desgraças passadas continuam sofrendo suas perdas até hoje.
Pergunte aos pobres de Angra do Reis que foram atingidos, se alguma coisa mudou?
O grande problema do nosso país é que o povo tem memória curta.
As tragédias são facilmente esquecidas.
Em julho, todos estarão com os olhos e ouvidos na África.
Estarão vibrando com as jogadas dos bilionários da bola, que em sua grande maioria jogam apenas pelo dinheiro, e quando perdem um pênalti na final de um campeonato, simplesmente diz que lamenta e que é coisa do futebol.
E daqui a dois anos a cidade da tragédia e o estado dos deslizamentos será a “cidade das olimpíadas”.
Eu estarei torcendo para que o brasil não passe da primeira fase no campeonato mundial.
E continuarei escrevendo que sou contra a olimpíada no brasil.
Eu continuarei escrevendo que sou contra a copa do mundo no brasil.
Se estes dois eventos fossem lucrativos para o país sede, com certeza não seriam disputados em países do terceiro mundo.
Que é lucrativo para alguém não resta a menor duvida.
Dois eventos que serão realizados para a elite que não está nem aí para o sofrimento dos pobres.
O que mais me irrita nestes eventos são os chamados Voluntários.
Pobres que se sujeitam a trabalhar de graça enquanto uma minoria rouba o dinheiro das obras superfaturadas.
Um assalariado terá dinheiro para assistir os jogos?
Poderá faltar ao trabalho para ver o espetáculo de ricos?
Porque nos asilos os voluntários não aparecem?
Enquanto a maior parte da população, os pobres, não conhecerem sua força e nas urnas fizerem uma mudança geral no Congresso Nacional, pouca coisa vai mudar neste país.
Enquanto famílias de políticos sacanas continuarem tendo seus sobrenomes no cenário nacional, o nosso país vai continuar sendo de terceiro mundo para os “filhos desta pátria, mãe gentil” e de primeiro mundo para uma minoria que sabe como ninguém manipular a vontade da massa votante.
É preciso eleger deputados e senadores que nunca tiveram um mandato. Se for mais um ladrão, pelo menos, levará algum tempo antes de se tornar profissional, como os atuais.
Faço questão deixar bem claro, existem as exceções.
OBS. ESTE TEXTO FOI ESCRITO NO ANO DE 2010 E CONTÍNUA ATUALÍSSIMO.

2 comentários:

  1. Meu amigo assino com voce,mas com o coração partido vendo as imagens de uma Belô tão vulneravel às chuvas, com as mesmas cenas de outros anos.O dinheiro sobra neste país, para os bolsos de alguns.As tragedias se repetem e vão ser piores nos proximos meses,pois a natureza tem dado o troco.
    Belo grito e que assim seja, nao calar nunca.
    Meu abraço.

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  2. Olá querido Geraldo,

    Essse texto, você escreveu há um ano e está tão actual, tão na moda, infelzmente.
    Continua a desigualdade gritante.
    Detesto futebol e tudo o que tape a mente da lucidez humana.
    Me faz lembrar a França, no século XVI, com Maria Antonieta.

    Excelente dia!

    Beijos de luzzzzzzzzzzzzzz.

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