30 de nov de 2011

UTOPIA


SINTO VERGONHA DE SER GENTE, QUANDO VEJO ALGUÉM BUSCAR SEU SUSTENTO REMEXENDO  NO LIXO


Hoje eu quero fazer um desabafo, e gostaria que ele ecoasse em todos os cantos deste mundo, que rechicoteasse nas paredes das Igrejas de todos os credos, nos gabinetes dos políticos de todos os partidos e de todas as tendências, dos simplesmente políticos, e daqueles que um dia tiveram o sonho de melhorar a vida dos pobres.
Eu queria que esse lamento montasse sua barraca nas salas atapetadas das grandes empresas, onde o trabalhador é apenas um número, e principalmente, nos pequenos escritórios e fábricas onde o trabalhador é tratado como amigo para não reclamar por não receber um salário justo.
Eu queria que esse grito ecoasse forte nas paredes dos prédios dos sindicatos que fingem defender o trabalhador.
Eu queria que esse grito falasse principalmente ao coração das pessoas de bem, daqueles que ainda sonham um mundo melhor, e são chamados de doidos ou de irresponsáveis por acreditarem em sonhos, e deixarem-se prenderem pelas amarras que engessam pensamentos e atitudes.
Tentarei relatar a dura realidade de um pai de família, até então trabalhador honesto que por falta de experiência profissional, e muito mais pela falta de sensibilidade social, perdeu o emprego, e hoje é mais um na estatística do governo dizendo que o nível de desemprego caiu.
Caiu.
Caiu a dignidade e a qualidade de vida de muitos que nem sabiam o que era qualidade de vida.
Caiu a dignidade de quem, mesmo por algum tempo não sentiu falta do dinheiro, mas com saudade de holerite sentiu-se inútil de uma hora para outra, como atingido por uma praga maldita.
Só quem já passou por isso sabe o estrago que faz por dentro, sair todas as manhãs como pedinte sem rumo visitando fábricas, canteiros de obras a procura de um emprego, deixando para trás, família e panelas vazias. Em barracos sem água e sem luz, porque não tem salário para pagar as contas e manter o lucro astronômico das empresas estatais prestadoras dos serviços de primeira necessidade.
Quantos casamentos e famílias se desestruraram por falta de um emprego?
Será que um trabalhador honesto fica contente, quando seu filho precisa fazer malabarismo nos sinais de trânsito a troco de umas moedas?
Será que a criança do sinal, tem família em uma casa esperando por ela?
Onde estão e para que servem os Conselhos Tutelares com seus conselheiros que nada produzem? Será que nenhum deles andam de carro para ver esses meninos e meninas?
Será que servem somente para atender o chamado de um marmanjão de dezessete anos, que se sentiu agredido por uma palavra mais alta dirigida por uma professora? Ou para intimidar um pai que, quando só o carinho não foi suficiente, teve que mostrar ao filho, de uma maneira mais ríspida até onde vai o seu limite?
Nenhum serviço de assistência social pode ser implementado sem passar pelo trabalho.
Nenhuma ajuda material deveria ser concedida sem contrapartida de um esforço pessoal, que não fosse unicamente mendigar.
Se os fazedores de leis quisessem acabar com compra de voto, já deveriam ter criado um sistema de trabalho comunitário e de mutirão, em parceria com as igrejas e instituições de caridade sérias desse país, para que toda ajuda material, hoje distribuída de graça, fosse paga com algum trabalho.
Uma mãe que quer colocar um filho em uma creche, se a mesma não tiver ocupação formal comprovada, deveria prestar serviço nesta mesma creche, até mesmo para conviver com o próprio filho, muitas vezes abandonado quando volta da escola.
Um pai poderia prestar algum trabalho voluntário na escola do seu filho.
No asilo perto da sua casa.
Na construção de barracos em mutirão.
Eu sei que é complicado!
Eu sei que é utopia!
Eu sei que virão defensores dos direitos humanos dizendo que é exploração de trabalho escravo.
E pergunto: Onde estão os “direitos humanos” diante de uma panela e uma barriga vazia, e diante da infâmia que obriga pessoas trabalhadoras viverem mendigando, ou sendo usadas como cabos eleitorais a troco de uma cesta básica?
Onde estão os “direitos humanos” que assistem trabalhadores sendo explorados, e quando esse mesmo trabalhador busca seu direito na justiça, tem o nome enxovalhado no mercado de trabalho?
Enquanto todos não se unirem em torno de uma só bandeira: a de desvincular Assistência Social de verdade da política partidária, e das complicações que ela provoca comprando consciências!
Enquanto não for dado ao homem o direito de pagar o sustento da sua família com o suor do seu rosto, para que possa sentir-se digno de comer do mesmo pão, não se pode falar que no país tem um serviço de assistência social, e nem Assistentes Sociais de verdade trabalhando para o sistema.
Esta é minha utopia.
Ver implantada uma assistência social para tirar o pobre da miséria material, e da inércia que o escraviza.

2 comentários:

  1. É amigo seu grito ouvi aqui e sua utopia é o que nos mantem de pé na fé de fazer deste país uma grande nação.Não perco a esperança da vassoura que faxinará este país.
    Belo trabalho amigo.

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  2. Olá estimado Geraldo,

    Chamou "UTOPIA" ao texto postado. Muito bem, é isso mesmo.
    Pode gritar, escrever para mostrar sua revolta, que o mundo vai continuar, assim.
    Um dia as coisas vão mudar, acredite.
    Agradeço suas palavras em meu blog.

    Abraços de luz.

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