1 de out de 2011

O DESAFIO DO MÉDICO NESTE NOVO MILÊNIO

À medida que aumentam a tecnologia e a complexidade da medicina como ciência e arte, a assistência médica vem se tornando descaracterizada, despersonalizada.                                                                                           
        O mercado, regido pela concorrência, muitas vezes desleal pelo clientelismo e sub-empreguismo, oprime e avilta. Em conseqüência, a sobrevivência das pessoas, inclusive dos médicos, exige malabarismos. As pessoas são exploradas por outras, pelas instituições, pelos planos de saúde e pelo próprio Estado. Esse modelo nada construiu, pelo contrário, temos assistido diariamente pela mídia, indignados, a destruição e a morte, conseqüências do ódio entre grupos e nações, quando se perde a grande oportunidade de promover a paz.                    
        Na saúde, a sociedade exige do médico e o culpa por todas as agruras que sofre para obter assistência médica, quando a culpa é dessa estrutura fraudulenta, exploradora, vil, contrária aos profissionais de saúde, contra aqueles que procuram seus serviços e contra a vida.
        Diante desta situação é urgente que se busque antes de tudo uma sociedade justa, digna, equânime, cidadã, estimulando através dos movimentos sociais, participações mais ostensivas nas lutas justas e necessárias pela solução desses problemas.
        É preciso incitar as mudanças desse modelo político vigente, globalizante, neoliberal e escravizante, diante da desvalorização das funções sociais, humanas, ambientais e ecológicas.
        Diante de tudo isso, é fundamental a reflexão sobre o papel do médico e o que significa a medicina hoje: O que pode fazer o médico como profissional de maior participação na vida das pessoas, para assessorá-las de forma digna, solidária, para obtenção de uma vida plena, como ensina o Evangelho de Jesus Cristo?
         A sua função é muito mais a habilidade de abordar a pessoa doente com o propósito de aliviar mais efetivamente o impacto da enfermidade sobre ela; utilizar-se não apenas da ciência, obtendo os dados objetivos de uma anamnese minuciosa, de um exame físico cuidadoso, da análise dos exames de laboratório e de técnicas especiais de apoio diagnóstico; é ter a humildade de ouvir a opinião de um consultor.
         Para isso, é preciso saber escutar: ouvir o inaudível com a subjetividade das insinuações, os medos não confessados, os sentimentos mudos, lembrando-se que a mente/alma pode adoecer o corpo.
 Há uma tendência em tratar o sintoma ou mesmo a doença ao invés de tratar a pessoa como um todo no contexto mente-corpo.
 A eficácia da terapia depende da forma pela qual o médico em seu relacionamento através do respeito, da atenção, da empatia, possa mobilizá-lo, mantendo-o cooperativo e motivado para se atingir os objetivos do tratamento.
        Hoje, mais do que nunca, não é possível o exercício da medicina sem humanismo.
         Temos que compreender o sofrimento causado pela forma que o paciente responde às suas perdas, que certamente poderiam desencadear aquele processo, pois as pessoas normalmente reagem com desamparo ou desesperança: às perdas de um ente querido, de uma função do corpo, de um amor, de um emprego, de uma ideologia, de um estado social, econômico, entre outros.
        A ampla visão do paciente além de órgãos e sistemas, de corpo e alma, permite ao médico ultrapassar seus limites de conhecimento e habilidades técnicas: ampliar sua capacidade de criar um Relacionamento Médico-Paciente generoso e perceber se ele está decepcionado, deprimido, solitário, não valorizando a sua vida.

Referências:
 1 – Melo Franco, M.: J. Viverbem Saúde ano III Ed. 35, 2001.
 2 – Pedroso, ERP: Os desafios da Clínica Rev Med Minas Gerais, 2001; 11 (2): 116-21.

Este texto foi escrito pelo Médico Neurologista Dr. Márcio Melo Franco, Secretário Asjunto da Secretaria de Saúde de Betim - Minas Gerais

2 comentários:

  1. Perfeito amigo é preciso uma revolução no sistema de saude,capinar todas as mazelas herdadas, purificar a medicina e os medicos.FAzer valer o juramento,criar condições de trabalho e exigir o trabalho digno e correto.Temos bons profissionais e maus profissionais e nesta área é fatal o mau.A politica para a saude é uma vergonha, uma lástima só.Quem tem dinheiro tem saude,quem não tem morre pelas filas.Como pode alguem pagar 35 anos de previdencia e ainda ter que ter um plano de saude para consultar? E por que os planos são tão caros e excludentes, principalmente se a pessoa ultrapássar a barreira dos 50 anos.E o trabalhador assumiu e nada mudou,onde vamos buscar esperança de um final de vida mais tranquilo para os menos favorecidos?
    Medicina pra todos é a ordem.
    Há esperança? Fico na duvida, onde o capitalismo avança com capa de socialismo.
    Um abraço amigo e vamos nesta luta e jornada por um mais justo e humano.
    Uma luta que não tem prazo.
    Fique bem e na paz amigo.
    Viva Minas com todo seu espirito de revolução.

    ResponderExcluir
  2. Olá estimado Geraldo,

    Será desta?
    O texto, por si postado, e da autoria de um médico, creio eu, é de uma pertinência atroz!
    A política da saúde é, deveria ser, olhada com olhos de ver.
    Lidar com vidas, não é o mesmo, que vender feijão.
    A Saúde e o Ensino são os sectores, em minha opinião, mais importantes na nossa sociedade.
    Tenho esperança, que dias melhores hão-de vir.
    Bom Domingo!

    Abraços de luz.

    ResponderExcluir