23 de jul de 2011

SINFONIA INACABADA DE SCHUBERT

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Maestro Roberto Minksuk
    
“Em 1822 Schubert, com 25 anos, iniciou a composição de uma das mais belas obras da música clássica de todos os tempos; a sinfonia número 8, em si menor, que nunca viria a terminar. Seis anos depois ele morreria e sua lápide está ao lado da de Mozart e Beethoven, prova de sua grandeza e importância para a música; é inegável que ele criou músicas incrivelmente belas; podemos perceber isso na audição da ‘sinfonia inacabada’.
          Ela se inicia com um allegro moderato, em que os graves entoam uma melodia sombria. Por cima desta, surge outra mais simples e fantasiosa que eleva o ouvinte a um estado de calmaria, mas logo depois o tom soturno retorna. A melodia encanta pela graça e leveza, sem deixar de ser tensa, com acordes fortes e momentos de quase fúria. O trabalho das cordas é magnífico e é praticamente impossível fazer qualquer coisa quando esta música toca.
          No fim do primeiro movimento os metais iniciam uma melodia grandiosa que gera um grande tom dramático através da força das cordas. Então o tema inicial retorna e ficará constante na mente do ouvinte. A melodia se espalha por todo o resto do allegro se desmembrando a cada compasso. O tom de calmaria retorna, mas os grandes acordes mais uma vez surgem e os metais e as cordas reiniciam sua batalha, até que o movimento estranhamente acaba sem prenunciar o que virá.
          O segundo movimento é delicado. As cordas continuam ditando o ar fantasioso em que o ouvinte se encontra, mas a tragicidade retorna de forma intensa. Os violinos são leves e agressivos criando um contraste que tanto agrada quanto assusta. A melodia é insistentemente leve. Contudo, os acordes fortes retornam anunciando algo que não saberemos. Termina o segundo movimento e um sentimento de estranheza recai sobre o ouvinte.
          Schubert compôs apenas dois movimentos para esta sinfonia, o allegro moderato e o andante com moto. Por isso trata-se de uma sinfonia inacabada; e muito bem inacabada! Contudo, persiste um mistério: não foi a morte que o impediu de continuá-la e nem um desejo de inovar o gênero das sinfonias, que normalmente tinham quatro movimentos. Mas o que o impediu? Fato é que a sinfonia reflete um pouco da vida de Schubert: Vida simples e breve e de grande produção e amor pela música...”.(Marcos Ramon)

PRODUTIVIDADE DE SCHUBERT
        Um executivo depois de semanas de espera, conseguiu dois ingressos na primeira fila para um concerto onde seria executada a sinfonia inacabada de Schubert.      Impossibilitado de comparecer por causa de uma viagem inadiável que surgira inesperadamente, passou o disputado convite para seu Gerente de Métodos e Processos.
          Curioso para medir o efeito de sua ação sobre a motivação do gerente, na manhã seguinte, pelo correio eletrônico da filial, perguntou-lhe se havia apreciado o programa. De pronto, recebeu via e-mail, a mensagem que tinha como título:  “Relatório Schubert” que dizia:
1-  “Por período considerável de tempo, os músicos com Oboé não tinham o que fazer. Sua quantidade deveria ser reduzida e o trabalho deles, redistribuído pela orquestra, evitando esses picos de inatividade.
2-  Os doze violinos tocavam notas idênticas. Isso parece ser uma duplicidade desnecessária de esforços. O contingente dessa seção deveria ser drasticamente reduzido. Se o alto volume de som é um requisito, isso pode ser obtido por meio de um amplificador.
3-  Muito esforço foi envolvido em tocar semitons. Isso parece um preciosismo desnecessário e seria recomendável que todas as notas fossem arredondadas para um tom mais próximo. Se isso fosse feito poder-se-ia utilizar estagiários em vez de músicos profissionais, reduzindo, assim, significativamente o custo operacional da orquestra.
4-  Não havia utilidade prática em repetir com os metais a mesma passagem já tocada pelas cordas. Se toda essa redundância fosse eliminada, o concerto poderia ser reduzido de 02 horas pra apenas 20 minutos.

          Em tempo:
          O Maestro em uma enorme demonstração de falta de respeito, descaso e insegurança no trabalho de sua equipe, o tempo inteiro deu as costas ao público, seus clientes. Nem assim se deu conta de detalhes tão óbvios. Como não o fez, deu uma clara demonstração de gestão ineficaz.
          Sugerimos, portanto, a simples reavaliação da necessidade dessa função ou, no mínimo, à luz da simplificação anteriormente feita, a sua substituição por alguém mais jovem, com pretensões salariais provavelmente menores.
          Sumariando observações anteriores, podemos concluir que se Schubert tivesse dado um pouco mais de atenção a esses pontos, talvez tivesse tido tempo também, de acabar sua sinfonia”.
                       Ass.: (Gerente de Métodos e Processos).

Referências:
1.   Produtividade de Schubert, in As Parábolas na Empresa: Reflexões para reuniões, palestras e apoio ao processo decisório, Ed. Leitura, 2006.
2.   Arcano5.blogspot.com 

Este texto foi enviado pelo Dr. Márcio Melo Franco, Secretário Adjunto da Saúde de Betim  

     Já imaginaram se todas as empresas enfrentando dificuldades financeiras, fizessem os cortes sugeridos por este gerente? Certamente todas sucumbiriam, assim como a Orquestra, e todas as Sinfonias seriam Inacabadas.  (Geraldo Eustáquio Ribeiro)

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