28 de jun de 2011

O GRITO DOS PROFESSORES

É ISTO QUE ELES ENFRENTAM TODOS OS DIAS
Sou professora do Estado do Paraná, e fiquei indignada com a reportagem da jornalista Roberta de Abreu Lima “Aula Cronometrada”. É com grande pesar que vejo quão distante estão seus argumentos sobre as causas do mau desempenho escolar, com as VERDADEIRAS razões que geram este panorama desalentador. 
Não há necessidade de cronômetros, nem de especialistas para diagnosticar as falhas da educação.
Há necessidade de todos os que pensam que: “os professores é que são incapazes de atrair a atenção de alunos repletos de estímulos e inseridos na era digital”, entrem numa sala de aula e observem a realidade brasileira.
Com alunos “repletos de estímulos”, que muitas vezes não têm o que comer em suas casas e inseridos na era digital?
Com famílias oriundas da pobreza, aonde os pais trabalham tanto que não têm como acompanhar os filhos em suas atividades escolares, e pior, não tem tempo para orientá-los para a vida? Isso sem falar nas famílias impregnadas pelas drogas, e destruídas pela ignorância e violência, causas essas que infelizmente são trazidas para dentro da maioria das escolas brasileiras.
 Está na hora dos professores se rebelarem contra as acusações que lhes são impostas. Problemas da sociedade deverão ser resolvidos pela sociedade, e não somente pela escola.
Não gosto de comparar épocas, mas quando penso na minha infância, onde pai e mãe, tios e avós estavam presentes, e onde era inadmissível faltar com o respeito aos mais velhos, quanto mais aos professores, e não cumprir as obrigações fossem escolares ou simplesmente caseiras, faço comparações com os alunos de hoje “repletos de estímulos”.
Estímulos de quê? 
De passar o dia na rua, não fazer as tarefas, ficar em frente ao computador, alguns até altas horas da noite, (quando o têm), brincando no Orkut, ou o que é ainda pior, envolvidos nas drogas.
Sem disciplina seguem perdidos na vida.
 Realmente, nada está bom, porque o que essas crianças e jovens procuram é amor, atenção, orientação e disciplina.
 Rememorando, o que tínhamos nós, os mais velhos?
Simplesmente: responsabilidade, esperança, alegria.
Esperança que se estudássemos teríamos uma profissão, seríamos realizados na vida. Hoje os jovens constatam que se venderem drogas vão ganhar mais.
Para que o estudo?
Por que numa época com tantos estímulos, não vemos olhos brilhantes nos jovens?
Quem, dos mais velhos não lembra a emoção, de somente brincar com os amigos, de ir aos piqueniques, subir em árvores?
 E nas aulas havia respeito e amor pela pátria.
Cantávamos o hino nacional diariamente, tínhamos aulas “chatas” só na lousa, e sabíamos ler, escrever e fazer contas com fluência. Se não soubéssemos não iríamos para a 5ª. Série. Precisávamos passar pelo terrível, mas eficiente, exame de admissão.
E tínhamos motivação para isso.
Hoje, professores “incapazes” dão aulas na lousa, levam filmes, trabalham com tecnologia, trazem livros de literatura juvenil para leitura em sala-de-aula (o que às vezes resulta em uma revolução), levam alunos à biblioteca e a outros locais educativos (benza, Deus), só os mais corajosos! E algumas escolas públicas onde a renda dos pais comporta, até a passeios interessantes planejados minuciosamente, como ir ao Beto Carrero.
 E mesmo assim, a indisciplina está presente, nada está bom. Além disso, esses mesmos professores “incapazes” elaboram atividades escolares como provas, planejamentos, correções nos fins-de-semana, tudo sem remuneração;
Todos os profissionais, quando estão cansados, têm direito a um intervalo que não é cronometrado.
Professores têm 10 minutos de intervalo, quando têm de escolher entre ir ao banheiro ou tomar às pressas um cafezinho. Todos os profissionais têm direito ao vale alimentação, professor tem que se sujeitar a um lanchinho, pago do próprio bolso, mesmo que trabalhe 40: hs semanais.
E a saúde? É a única profissão que conheço que embora apresente atestado médico tem que repor as aulas.
 Há de se pensar, então, que são bem remunerados... mera ilusão!
Por isso, cada vez vemos temos menos profissionais nessa área, só permanecem os que realmente gostam de ensinar, e os que aguardam uma chance de “cair fora”. Todos devem ter vocação para Madre Teresa de Calcutá, porque por mais que se esforcem em ministrar boas aulas, ainda ouvem alunos chamá-los de “vaca”, ”puta”, “gordos “, “velhos” entre outras coisas.
Como isso é motivante e temos ainda que ter forças para motivar.
Mas, ainda não é tão grave.
Temos notícias dia-a-dia, até de agressões a professores por alunos que com certeza talvez agridam seus pais e familiares.
Lembro de um artigo lido na revista Veja, de Cláudio de Moura Castro, que dizia que um país sucumbe quando o grau de incivilidade de seus cidadãos ultrapassa um certo limite.
Acho que esse grau já ultrapassou.
Chega de passar alunos que não merecem, se passam; sem estudar nunca vão saber porque devem comportar-se na sala de aula mesmo, diante de tantas chances, e com indisciplina... E isso é um crime!
Vão passando série após série, e não sabem escrever nem fazer contas simples
Depois a sociedade os exclui, porque não passa a mão na cabeça. Ela é cruel e eles já são adultos.
Por que os alunos do Japão estudam? Por que há cronômetros? Os professores são mais capacitados? Talvez, mas o mais importante: é porque há disciplina.
E é isso que precisamos, não de cronômetros.  
Lembrando: o professor estadual só percorre sua íngreme carreira mediante cursos, capacitações que são realizadas, preferencialmente aos sábados. Portanto, a grande maioria deles estão constantemente estudando e aprimorando-se.
Em vez de cronômetros, precisamos de carteiras escolares, livros, materiais, quadras-esportivas cobertas (um luxo para a grande maioria de nossas escolas), e de lousas, sim, em melhores condições e em maior quantidade.
Existem muitos colégios nesse Brasil afora que nem cadeiras possuem.
E é essa a nossa realidade! 
E, precisamos, também, urgentemente de educação para que tudo que for fornecido ao aluno não seja destruído por ele mesmo em plena era digital, os professores ainda são obrigados a preencher os tais livros de chamada, à mão: sem erros, nem borrões (ô, coisa arcaica!), e ainda assim se ouve falar em cronômetros.
Francamente!
 Passou da hora de todos abrirem os olhos, e fazerem algo para evitar uma calamidade no país, futuramente.
Os professores não são culpados de uma sociedade incivilizada e de banditismo, e finalmente, se os professores até agora, não responderam a todas as acusações de serem despreparados e “incapazes” de prender a atenção do aluno com aulas motivadoras, é porque não tiveram TEMPO.
Responder a essa reportagem custou-me metade do meu domingo, e duas turmas sem as provas corrigidas.
 Vamos fazer uma corrente via internet, repasse a todos os seus! Grata.
 Vamos começar uma corrente nacional que dê aos professores respaldo legal quando um aluno o o agride física ou verbalmente.
Chega de ECA que não resolve nada,
Chega de Conselho Tutelar que só vai a favor da criança e adolescente (capazes às vezes de matar, roubar e coisas piores)
Chega de salário baixo, todas as profissões e pessoas passam por professores, deve ser a carreira mais bem paga do país, afinal os deputados que ganham 67% de aumento tiveram professores, até mesmo os "alfabetizados funcionais".
Pelo amor de Deus somos uma classe com força!
Somos politizados, somos cultos, não precisamos fechar escolas, fazer greves, vamos apresentar um projeto de Lei que nos ampare e valorize a profissão.

Vanessa Storrer - professora da rede Municipal de Curitiba


Um comentário:

  1. Uma coisa triste a situação deste país sobre a educação e o desmando que se implantou nas salas de aulas,onde os alunos tem todos os direitos e professor só deveres, recebendo a merreca do governo. Um país que trata mal seus professores não é um país sério.
    Triste,amigo.
    Um abração.
    Vou copiar e repassar aos amigos principalmente la´do PAraná que são tantos.

    ResponderExcluir