9 de dez de 2010

ERA PARA SER UM ESPETÁCULO



Sentei-me confortavelmente na cadeira de balanço para receber uma ilustre visita.
E ela não se fez de rogada, inundou meu alpendre com a cor de ouro que é a sua marca registrada, veio com toda sua majestade para me fazer companhia.
Com um sorriso em sinal de agradecimento perguntei: Oh! Lua existe em algum lugar do mundo algo que encanta mais que este espetáculo, alguma luz mais brilhante?
E ela respondeu: - Eu sou apenas um satélite que reflete a luz do Sol, então o nascer e o pôr-do-sol certamente são mais belos.
Na manhã do dia seguinte fiquei de boca aberta esperando o Sol aparecer com toda a sua majestade de astro rei.
E sua luz intensa e seu calor invadiram meu alpendre.
E perguntei: Sol existe no universo luz mais brilhante?
E ele respondeu: - Claro que existe. A vida que renasce todos os dias iluminada pela luz de quem me criou.
Então descobri o obvio.
O dono do espetáculo da Lua é Deus.
O dono do nascer e do pôr-do-sol e da luz que dá vida é Deus.
Ele é o grande regente e mestre do espetáculo da vida que a cada dia é diferente do outro.
Nós fomos convidados a fazer parte deste espetáculo, mas nos contentamos em sermos meros figurantes que queimam o filme e destroem os cenários e estragam a cena.
Agora somos chamados a refletir sobre a Amazônia e sobre o seu povo sofrido.
Muito bem, acho que é um tema apaixonante e digno de ser lembrado.
Mas o problema não está lá.
O cerne de todos os problemas está na política corrupta dos donos do poder, dos latifundiários de terras e de vidas que se deixam grilar e apossar.
A grande maioria dos políticos são donos de terras que nem mesmo eles sabem a extensão e certamente nunca pisaram em metade da propriedade.
A luta para defender os oprimidos e a natureza, precisa ter como cenário, os gabinetes e os palácios da in-justiça e do podre poder público.
Quantos Chicos Mendes serão necessários sacrificar?
Quantas Irmãs Dorotys deverão ser sacrificadas?
Quantos guerreiros anônimos terão que morrer?
Ah! Se o sol e a lua e as estrelas e a natureza como um todo pudessem gritar!
Com certeza iríamos conhecer quem é o grande responsável pela destruição da natureza.
Certamente não são os pobres.
As grandes madeireiras pertencem a quem?
Quem opera a moto serra não é o responsável pela matança das árvores.
Quem libera o transporte?
Quem fiscaliza?
Nos postos de fiscalização das rodovias brasileiras alguém é parado somente se for denunciado, você pode colocar um corpo em uma camioneta em qualquer lugar do Brasil e jogá-lo a mil quilômetros, que ninguém vai te incomodar. Posso dizer isto, porque viajei mais de 20.000 quilômetros em dois meses e nunca fui fiscalizado.
As usinas?
As minas de carvão.
O pobre fabrica carvão como escravo para enriquecer seu dono.
E o dono do carvão.
Para que serve o Ibama? Para fiscalizar pescadores amadores que pegam o peixe para comer e não sabem que de madrugada, caminhões transportam de tudo sem serem vistos porque são invisíveis aos olhos da fiscalização.
Para que serve o Incra?
Para explorar os povos indígenas que continuam recebendo espelhos, apitos e cachaça.
Temos um ministério do Meio Ambiente.
Só podia ser meio, porque não do ambiente inteiro, quantos funcionários tem estes ministérios, quantas salas eles ocupam?
Quantos trabalham de verdade?
Temos ministério da Reforma Agrária.
Que reforma?
Como reformar o que não dá mais conserto?
Eles simplesmente são do meio político.
Corruptos.
Corruptores.
Não sabem o que é natureza.
Eu não sei se perceberam...
Este texto tinha tudo para ser um poema de exaltação da beleza de um luar, de um pôr-do-sol, de uma vida, mas para que este espetáculo continue é preciso gritar aos quatro cantos do universo que o mundo pede socorro.

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