22 de nov de 2010

ESCRAVOS DO NOSSO TEMPO





Este é um dos Alojamentos dos Escravos da Solidão




O Brasil tem aproximadamente 5561 municípios, se levarmos em consideração que cada um possui uma casa de caridade que acolhe pobres, velhos, crianças, doentes mentais, e que em algumas cidades existem mais de uma, podemos afirmar sem medo de errar quê: Trancados entre quatro paredes vivem 250.000 brasileiros dependentes da boa ou má vontade de estranhos. Se somarmos a esse número, os que estão abandonados dentro das suas próprias casas, nas ruas e nas cadeias, esse número chega muito perto do absurdo. 
O ser humano é escravagista por natureza, com muitas exceções é claro. Abrindo o jornal de hoje deparei com a notícia de que centenas de africanos foram abandonados no deserto do Saara, sem água e sem alimento.
Isto não é escravidão, é assassinato. 
Quem acha que a escravidão acabou, tem tempo e dinheiro, deveria dar uns passeios por este imenso paraíso para poucos, chamado Brasil, e ver escravos de todas as etnias, raças, cor, e de todas as idades sendo explorados por pessoas pobres cuja brutalidade foi moldada na ignorância e pelo sofrimento, sendo exploradas por pessoas ricas cujo deus é o dinheiro, exploradas por políticos sem escrúpulos que só precisam das pessoas de quatro em quatro anos. Verão as grandes fazendas de plantio, ou de criação, onde o escravo tem que comprar no armazém do dono, ou de um dos seus puxa-sacos, para ficar sempre devendo e nunca poder ir embora. Estas fazendas cercadas por seguranças, onde o boi e a soja têm mais valor que a vida de quem trabalha para cuidar do patrimônio do senhor dos escravos.
Verão muitos escravos nas carvoarias onde o dono não tem coragem de entrar, e nem permite que seus filhos fiquem expostos à fumaça que mata, o lucro é mais importante que a vida.  Homens, mulheres e crianças, mudam de cor até que o negro do carvão, e o monóxido destruam completamente seus pulmões, levando-os a encontrar a escuridão da morte bem mais cedo do que esperavam. 
Verão os escravos trabalhando nas grandes e pequenas madeireiras que devastam a natureza, com a conivência das autoridades, e dos políticos que moram em palácios, achando que o mundo se resume ao seu reduto cercado de grandes muros, cercas elétricas, alarme.  Seguranças escravos da corrupção e do corruptor que lhes pagam um mísero salário com apenas o direito de ficarem calados, e não se meterem nos assuntos do contratante, e muitas vezes, esse salário é pago com o dinheiro roubado de todos nós.
Quem não tem tempo e nem dinheiro, não precisa ir muito longe, comece a olhar ao seu redor. Vejam as crianças vendendo seus produtos nos semáforos para sustentar pais, irmãos ou padrastos, alcoólatras ou drogados que os espancam se chegarem suas em casas de mãos vazias.
Vejam a miséria que a corrupção política não deixa erradicar. 
Converse com as empregadas domésticas que se transformam em objeto sexual de seus patrões, ou de seus filhos, para não perderem o emprego. Conversem com aquelas que só podem comer depois que todos se empanturraram, mesmo assim, se tiver sobrado alguma coisa.  Muitas dormem no quarto dos fundos, onde os cães bem acomodados ladram para lembrar que são mais importantes. 
Observe também as prostitutas e prostitutos ricos e pobres, de famílias ricas e pobres, se vendendo caro, para alimentar o vazio de pessoas sem passado e sem futuro, ou barato, porque o corpo já não tem mais atrativo, e a alma cansada demais para repousar na paz que os eleitos pelo voto fazem questão de matar, e os eleitos por Deus se sentem impotentes e perdem a coragem de denunciar. 
Converse com os varredores da sua rua, que estão sempre alegres ou não com o salário que recebem para recolherem o lixo úmido com muita comida jogada fora.  Pergunte a ele quem é o dono da empresa, se ele souber, verá que a maioria delas pertence a algum político, e que a maioria dos empregados são cabos eleitorais, de fato e de direito.
Não deixe de dar uma palavrinha com os funcionários dos hospitais públicos onde a escravidão é muito mais perversa e sofisticada, por culpa exclusiva da ganância dos empresários, e da omissão dos administradores que brincam com o dinheiro do contribuinte. Escravizar profissionais com formação acadêmica que não tem como lutar contra a falta de condições de trabalho, contra a falta de material e de medicamentos que salvam vidas, que impotente é obrigado a ver  o manto da morte cobrir vidas que poderiam ser salvas, se a verba que deveria ser da saúde não fosse desviada para o bolso dos políticos ladrões.  Esta escravidão é mais cruel, porque a cabeça pensante tem que se educar para mentir e ficar calada, e com o passar dos anos, irem se “acostumando” com o exercício da profissão.
Outra forma perversa de escravidão é quando o escravo se sente feliz mesmo obrigado ficar indiferente ante as circunstancias, e abre mão da liberdade quando: É pobre e a família vive exclusivamente do seu trabalho, o obrigando suportar todas as humilhações a troco do salário de fome que o patrão lhe paga, como se fosse uma esmola aprovada pelo governo. 
Escravo do sistema: É pobre e sente-se bem sendo um brinquedo de pessoas ricas que gostam de usar e humilhar os outros, esquecendo que diante da morte e de Deus, somos todos iguais. Este escravo assimila tão bem a vida do seu dono que já se tornou famoso, “comeu jiló e arrotou bife”. 
Escravo da comodidade: Tem um cargo importante dentro de uma instituição, mas precisa abrir mão das suas ideias e dos seus princípios, precisa ser discreto e obediente como um robô para garantir o emprego. Tem que atender o chamado do patrão, mesmo quando o filho ou a esposa implora por sua presença, esquecendo até de Deus. 
Escravo por opção: Quando acha que é influente e popular, e se torna cabo eleitoral ou assessor de um político corrupto que usa o pobre como escada para conseguir manter-se no poder. O pior é quando esse escravo não tem nenhuma carência financeira, e se sujeita a um sacana a troco de um salário que nada lhe acrescenta. 
Escravo marionete: O pior escravo é o que se submete ao dinheiro, e aqui todos se igualam, donos e moradores das senzalas, que por causa do vil metal vendem a própria alma. 
Precisamos buscar sempre a liberdade, começando primeiro em nossos lares onde todos tenham os mesmos direitos e obrigações, e ninguém seja dependente da boa ou má vontade de pessoas que gostam d

Um comentário:

  1. Simplesmente FANTÁSTICO! Vou copiar o seu texto no meu facebook. Mostrar para aquelas pessoas que insistem em fingir que não existe um preconceito velado rondando por aí.
    Parabéns!

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