22 de nov de 2010

ESCRAVOS DO NOSSO TEMPO





Este é um dos Alojamentos dos Escravos da Solidão


O ser humano é escravagista por natureza, com muitas exceções é claro. Quem acha que a escravidão acabou, tem tempo e dinheiro para viajar, deveria dar uns passeios por este imenso paraíso para poucos, chamado Brasil. Verá escravos de todas as etnias, raças, cor, de todas as idades, sendo explorados por pessoas pobres cuja brutalidade foi moldada pela ignorância e pelo sofrimento. Escravizadas por pessoas ricas cujo deus é o dinheiro, e por políticos sem escrúpulos que só precisam das pessoas de quatro em quatro anos. 
Verão as grandes fazendas de plantio ou de criação, onde o escravo tem que comprar no armazém do fazendeiro, ou de um dos seus puxa-sacos, para ficar sempre devendo e nunca poder ir embora. Terá uma ampla visão das fazendas cercadas por seguranças, onde o boi e a soja tem mais valor, que a vida de quem trabalha para cuidar do patrimônio do filho de uma égua que só aparece para cobrar o lucro. 
Nas carvoarias, cujos donos não têm coragem de entrar, e nem permitem que seus filhos fiquem expostos à fumaça que mata, o lucro é mais importante que a vida.  Homens, mulheres e crianças mudam de cor, até que o negro do carvão e o monóxido destruam completamente seus pulmões, e em pouco tempo, pessoas simples e humildes encontrarem-se com a escuridão da morte. 
Nas grandes e pequenas madeireiras que devastam a natureza, com a conivência das autoridades e dos políticos, que moram em palácios achando que o mundo se resume ao seu reduto cercado por grandes muros.
Quem não tem tempo e nem dinheiro, não precisa ir muito longe. 
Comece a olhar ao seu redor. 
Vejam as crianças escravas, vendendo seus produtos nos semáforos para sustentar pais, irmãos ou padrastos alcoólatras e drogados, que os espancam, vivendo na miséria que a corrupção política não deixa erradicar. 
Converse com as empregadas domésticas que se transformam em objeto sexual de seus patrões, ou de seus filhos, para não perderem o emprego, ou com as que só podem comer depois que todos se empanturraram, e se tiver sobrado alguma coisa.  
Observe também as prostitutas e prostitutos, vindos de famílias pobres, se vendendo barato porque o corpo já não tem mais nenhum atrativo, e a alma está cansada demais para repousar na paz que os eleitos pelo voto, fazem questão de matar, e os eleitos por Deus sentem-se impotentes e perdem a coragem de denunciar. Observe também as prostitutas e prostitutos vindos de famílias ricas, se vendendo caro para alimentar o vazio de pessoas sem passado e sem futuro.
Converse com os varredores da sua rua, que estão alegres ou não com o salário que recebem, pergunte quem é o dono da empresa, se ele souber, verá que a maioria pertence a algum político, e que os empregados são cabos eleitorais de fato e de direito.
Não deixe de dar uma palavrinha com os funcionários dos hospitais públicos e privados, onde a escravidão é muito mais perversa e sofisticada, por culpa da ganância dos empresários, e da omissão dos administradores públicos que brincam com o dinheiro do contribuinte. Escravizar profissionais com formação acadêmica, que não tem como lutar contra péssima condição de trabalho, contra a falta de material e medicamentos que salvam vidas, que vê o manto da morte cobrir vidas que poderiam ser salvas, se o dinheiro que deveria ser usado da saúde não fosse para o bolso, desviadas nas obras faraônicas, enterradas junto com um corpo cujo atestado de óbito não pode relatar a verdade.
Esta é a escravidão mais cruel, porque os profissionais precisam se educar para mentir e ficarem calados, e com o passar dos anos irem se “acostumando” com o exercício da profissão.
Outra forma perversa de escravidão é quando o escravo se sente feliz, mesmo obrigado a    ficar indiferente ante as circunstancias, abrindo mão da sua liberdade.
Escravo do sistema: É pobre e a família vive exclusivamente do seu trabalho, tem que suportar todas as humilhações a troco do salário de fome, que o patrão lhe paga como se fosse uma esmola aprovada pelo governo. 
Escravo da comodidade: Tem um cargo importante dentro de uma instituição onde precisa abrir mão das suas ideias e dos seus princípios, precisa ser discreto e obediente como um robô para se garantir no emprego. Tem que atender o chamado do patrão, mesmo quando o filho ou a esposa imploram por sua presença, esquecem até de Deus para atender o todo poderoso que se sente dono do seu destino. E mesmo assim, o escravo sente-se bem sendo um brinquedo de pessoas ricas, que gostam de usar e humilhar, esquecendo que diante da morte e de Deus, somos todos iguais
Escravo por opção. Quando acha que é influente e popular, e torna-se cabo eleitoral ou assessor de um político corrupto, que usa os humildes como escada para conseguir manter-se no poder. O pior é quando este escravo não tem nenhuma carência financeira, e sujeita-se a um sacana a troco de um salário que nada lhe acrescenta. 
Escravo marionete. O pior escravo é o que se submete ao dinheiro, onde todos se igualam, donos e moradores das senzalas, que por causa do vil metal vendem a própria alma. 
Eu poderia ficar enumerando vários outros tipos e formas de escravidão, e de donos de escravos, como a maioria dos políticos, como várias empresas e empresários, com suas senzalas de horrores de norte a sul deste país das falmacutaias.
Vou terminar com a mais perversa forma de escravidão: A Tecnologia.
Nestes tempos modernos, homens, mulheres e crianças, jovens e adultos, são escravos das empresas de comunicação, 

Um comentário:

  1. Simplesmente FANTÁSTICO! Vou copiar o seu texto no meu facebook. Mostrar para aquelas pessoas que insistem em fingir que não existe um preconceito velado rondando por aí.
    Parabéns!

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