3 de set de 2010

A VIOLÊNCIA PODE SER O COMEÇO DA PAZ.




A série de assassinatos de policiais e os ataques a bases da PM na região metropolitana de São Paulo  nos últimos dias faz com que moradores e autoridades relembrem os ataques atribuídos à organização criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) que ocorreram entre maio e agosto de 2006 no Estado.

 Esse texto foi escrio em Maio/2006.
Observando os acontecimentos recentes, vejo que esse texto tem tudo a ver com o que estamos vivenciando e vivendo neste momento.


O governo agora está encurralado. A justiça não sabe a quem punir. 
E a lei volta a ficar pequena diante da monstruosidade. 
Isto era previsível! 
O governo agora deve estar sentindo-se como um pai que não cuidou do filho na infância, e quando descobre que ele se tornou um marginal ou um viciado em drogas, fica sem saber o que fazer. 
Não sabe se deve deixar punir. 
Ou se tem obrigação de recuperá-lo.
Que isto sirva de lição para todos nós. 
Sempre que falo para um grupo faço uma pergunta boba e simples: como se coloca um chuchu dentro de uma garrafa? A resposta é simples, basta ir à planta e introduzi-lo dentro da garrafa para que ele cresça dentro da mesma. 
É de pequeno que se torce o pepino! 
Isto todos sabem. 
Só quem não sabe são os conselheiros tutelares e os defensores dos direitos humanos, e os vagabundos que vivem à cata de votos. Estes não sabem que a colheita depende do que plantou. Estes fazem o jogo do poder para se manterem no cargo, se fosse proibido conselheiro tutelar ter salário e membros do governo fazerem parte de grupos de direitos humanos talvez os pobres estariam mais bem atendidos. 
Os assassinos de hoje já nasceram assassinos? 
Quando eram crianças alguém se preocupou com o seu futuro? 
Agora a punição severa é necessária e precisa ser feita com urgência. 
É preciso ir além da punição. 
Buscar soluções para que este fato lamentável não se repita e fique ecoando como um aviso macabro de que pode acontecer de novo. Buscar soluções para que os familiares de policiais honestos não precisem mais chorar a perda de um ente querido punido pela incompetência dos fazedores de leis e pela ganância dos ladrões de gravata que roubam o dinheiro que deveria ser investido na educação e na
formação dos jovens deste país. 
Na minha crônica A Futura Geração Precisa Acordar, passei a responsabilidade desta mudança para os jovens de hoje. 
Neste texto quero dividir esta responsabilidade com toda a sociedade. 
Precisamos cuidar das crianças e dos adolescentes da periferia, dar condições de aprendizado profissional sem paternalismo e sem politicagem para formarmos cidadãos comprometidos com a vida. 
Alguns dirão:  Muitos jovens da periferia não se tornam marginais. 
Graças a Deus isto é verdade, mas pergunte a este jovem o que ele teve que sofrer para não se enveredar pelo caminho do crime e da droga?  Tenho certeza que irão ouvir muita história bonita de convivência familiar, e muita coisa boa de igreja e comunidade serão relatadas. 
Isto não basta. 
E os que não tem uma estrutura familiar? 
O governo não pode deixar para as igrejas, escolas, e para a sociedade o ônus de educar os deserdados da cidadania, porque toda vez que cria alguma coisa para melhorar a vida deles, entrega essas ações para os políticos corruptos trocarem por votos 
É isto que está acontecendo. 
Quando um pai tem cinco filhos e todos têm que trabalhar para ajudar no sustento da casa, e este pai enche um filho e presentes e de carinho, e aos outros trata com indiferença e porrada, o que é normal acontecer. Com certeza os que são desprezados irão buscar em outro lugar e com outras pessoas a atenção que não recebem em sua própria casa.
É isto que está acontecendo. 
Enquanto uma minoria, principalmente de empregados ou sugadores do dinheiro dos cofres públicos chega a ter salários acima de R$ 24.000,00, um trabalhador tem que sustentar seus filhos com um mísero salário mínimo. Como é possível este salário ser SETENTA vezes menor que o de um tecnocrata, um juiz, ou de um político que paga a mesma alíquota de imposto? 
Quando paga!
Como é possível um trabalhador ficar quatro horas ou mais espremido dentro de um ônibus para ir e vir do trabalho, enquanto uma minoria de afortunados voa de helicóptero para baixo e para cima observando os pobres lá do alto como se fosse um Deus. Enquanto seus filhos são levados à escola e suas filhas e esposas aos shoppings para fazerem compras e vagabundear em carro com gasolina e motorista pagos com o dinheiro tirado do imposto absurdo cobrado até na farinha que o pobre muitas vezes não pode comprar. 
Enquanto os fazedores de lei e os políticos não aprenderem que os filhos de um mesmo país precisam ter um tratamento igualitário a violência será a resposta. 
Enquanto a justiça não entender que a punição tem que ser na mesma proporção do crime para pobres e ricos a violência será a resposta. 
Enquanto a força policial não entender que o mesmo cassetete que marca as costas do pobre precisa marcar também a do rico (na verdade não deveria marcar de ninguém) a violência será a resposta. 
O destino de um pai que abandona o seu filho é um asilo de caridade. 
O destino de um país que abandona seu povo é a miséria e a fome e a violência. 
Os filhos dos “trabalhadores” dos órgãos públicos estudam em escolas que nunca são saqueadas, e que cobram mensalidade como se fosse de curso superior, e preparam o aluno do maternal até a entrada para a faculdade 
A periferia tem escolas sem estrutura, com os alunos tendo que sentar-se em um vaso sujo, com portas abertas como se estivesse em uma prisão, com professores mal remunerados e sem condições de se aperfeiçoarem.
Não tem creche suficiente para acolher os filhos dos trabalhadores, dos vagabundos e também dos desempregados, e deixam estas crianças serem criadas como bicho de estimação. 
A elite pode pagar caro o ensino fundamental e quando chega o momento do filho ir para uma faculdade, a universidade pública é o porto seguro que abriga e acolhe os ladrões das vagas que deveriam ser dos pobres. Enquanto a elite desfruta de uma medicina de primeiro mundo, nos postos de saúde pública, a morte por omissão de socorro é coisa natural, como aconteceu na minha cidade na semana passada quando um pobre morreu por omissão de socorro porque ficou sem atendimento das 20,00 às 5.00 horas em um posto de pronto atendimento. 
O governo vota um Estatuto do Idoso para enganar a população. Em um dos artigos está claro que, quando o idoso não tem estrutura familiar e financeira para se manter, a sua manutenção é de inteira responsabilidade do poder público. Mas, na minha cidade o hospital público obriga um asilo que vive de esmolas gastar R$ 600,00 por mês para pagar um acompanhante alegando que falta funcionário. Como pode faltar funcionário em um hospital, enquanto as salas da burocracia estão entupidas de funcionários sem função e as gavetas cheias de holerites que o dono sequer se dá ao trabalho de buscar. 
A morte dos policiais foi um castigo muito duro para suas famílias e para a sociedade. 
Esta violência precisa ser freada, e isto só acontecerá a longo prazo. 
Sair atirando para todos os lados não é a melhor solução. 
O abandono vem de muitos anos! 
Os filhos maltratados estão ficando indignados. 
Os herdeiros da miséria estão se multiplicando. 
E precisam de escolas de qualidade, cursos profissionalizantes para os adolescentes, e um local agradável para as crianças frequentarem quando saem da escola e ficam perambulando pelas ruas. Poucos são os que têm uma família esperando com carinho e em condições de ajudá-lo nos trabalhos de escola. 
E precisam de um serviço de saúde humanizado e eficiente para tirar de circulação as malditas ambulâncias de políticos que carregam qualquer coisa a troco de voto. 
Precisam de investimento em praças de esporte com profissionais de verdade no lugar de candidatos fracassados ou de cabos eleitorais puxa-sacos que ocupam cargos técnicos como bonecos de marionete. 
Com certeza, a melhor solução é o fechamento do congresso nacional e todas as câmaras de vereadores e a convocação de uma nova eleição. 
Ou os que aí estão percebam de vez que a paciência dos pobres já chegou ao limite? 
Tem como resolver! 
Basta querer. 
Basta ser justo. 
Basta simplesmente fazer cumprir e também respeitar a lei. 
E não deserdar os filhos da ignorância e da pobreza. 
Os verdadeiros filhos de Deus. 
Se for feito um mutirão para dar dignidade ao povo, com certeza: 
A paz e a vida voltarão a ser irmãs, e o povo voltará a sorrir. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário