3 de set de 2010

A VIOLÊNCIA PODE SER O COMEÇO DA PAZ.

Este texto foi escrito em 2006, quando a nossa cidade estava jogada às moscas, não podemos deixar isto acontecer novamente.
O governo agora está encurralado.
A justiça não sabe a quem punir.
E a lei volta a ficar pequena diante da monstruosidade.
Isto era previsível!
O governo agora deve estar se sentindo como um pai que não cuidou do filho na infância, e quando descobre que ele se tornou um marginal, ou um viciado em drogas, fica sem saber o que fazer.
Não sabe se deve deixar punir.
Ou se tem obrigação de recuperá-lo.
Que isto sirva de lição para todos nós.
Sempre que falo para um grupo faço uma pergunta boba e simples: como se coloca um chuchu dentro de uma garrafa?
É de pequeno que se torce o pepino!
Isto todos sabem.
Só quem não sabe são os conselheiros tutelares e os defensores dos direitos humanos, e os vagabundos que vivem à cata de votos, estes não sabem que a colheita depende do que plantou.
Estes fazem o jogo do poder para se manter no cargo, se fosse proibido conselheiro tutelar ter salário, e membros do governo fazerem parte de grupos de direitos humanos, talvez os pobres estariam mais bem servidos.
Os assassinos de hoje já nasceram assassinos?
Quando eram crianças alguém se preocupou com o seu futuro?
Agora a punição severa é necessária e precisa ser feita com urgência.
É preciso ir além da punição.
Buscar soluções para que este fato lamentável não se repita, e fique ecoando como um aviso macabro de que pode acontecer de novo.
Buscar soluções para que os familiares de policiais honestos, não precisem mais chorar a perda de um ente querido, punido pela incompetência dos fazedores de leis e pela ganância dos ladrões de gravata, que roubam o dinheiro que deveria ser investido na educação e na formação dos jovens deste país.
Na minha crônica, A Futura Geração Precisa Acordar, eu passei a responsabilidade desta mudança para os jovens de hoje.
Neste texto quero dividir esta responsabilidade com toda a sociedade.
Precisamos cuidar das crianças e dos adolescentes da periferia, dar condições de aprendizado profissional, sem paternalismo e sem politicagem, para formarmos cidadãos comprometidos com a vida.
Alguns dirão:
-Muitos jovens da periferia não se tornam marginais.
Graças a Deus isto é verdade, mas pergunte a este jovem o que ele teve que sofrer para não se enveredar pelo caminho do crime e da droga?
Tenho certeza que irão ouvir muita historia bonita, de convivência familiar, e muita coisa boa de igreja e comunidade serão relatadas.
Isto não basta.
E os que não tem uma estrutura familiar?
O governo não pode deixar para as igrejas e para a sociedade, o ônus de educar os deserdados da cidadania, porque toda vez que cria alguma coisa para melhorar suas vidas, entrega as ações para os políticos corruptos trocarem por votos.
É isto que está acontecendo.
O governo parece um pai que tem dois filhos, um ele enche de filho de presentes e carinho, o outro, trata com indiferença e na porrada.
É isto que está acontecendo.
Isto é um dos fatores que incita a violência.
Enquanto uma minoria, principalmente de empregados ou sugadores do dinheiro público, chegam ter salários acima de R$ 24.000,00, um trabalhador tem que sustentar seus filhos com um salário mínimo.
Como é possível o salário mínimo de um país ser SETENTA vezes menor que o de um tecnocrata ou de um político.
Como é possível um trabalhador ficar quatro horas ou mais, espremido dentro de um ônibus para ir e vir do trabalho, enquanto uma minoria de afortunados, voam de helicóptero, para baixo e para cima, observando os pobres lá do alto, como se fosse um Deus?
Enquanto isto os seus filhos são levados à escola,  suas filhas e esposas para fazer compras e vagabundear pelos shoppings, em carro, gasolina e motorista pagos com o dinheiro tirado do imposto absurdo, cobrado até na farinha que o pobre muitas vezes não pode comprar.
Enquanto os fazedores de lei e os políticos não aprenderem que os filhos de um mesmo país, precisam receber o mesmo tratamento, a violência será a resposta.
Enquanto a justiça não entender que a punição tem que ser na mesma proporção do crime para pobres e ricos, a violência será a resposta.
Enquanto a força policial não entender que o mesmo cassetete que marca as costas do pobre, precisa marcar também a do rico (na verdade não deveria marcar de ninguém) a violência será a resposta.
O destino de um pai que abandona o seu filho é um asilo de caridade.
O destino de um país que abandona seu povo é a miséria e a fome e a violência.
Os filhos dos “trabalhadores” dos órgãos públicos estudam em escolas que nunca são saqueadas, cujas mensalidades iguais a de uma universidade, e preparam o aluno desde o maternal.
Quando chega o momento de ir para uma faculdade, a universidade pública é o porto seguro que abriga e acolhe os ladrões das vagas que deveriam ser dos pobres
A periferia tem escolas sem estrutura, com os alunos tendo que se sentar em um vaso de banheiro com portas abertas, como se estivesse em uma prisão. Professores mal remunerados e sem condições de se aperfeiçoarem.
Não existe creche para acolher os filhos dos trabalhadores.
Enquanto a elite desfruta de uma medicina de primeiro mundo, nos postos de saúde do governo, a morte por omissão de socorro é coisa natural. Isto aconteceu na minha cidade na semana passada, onde um pobre morreu por omissão de socorro porque ficou sem atendimento das 20,00 às 5.00 horas em um posto de pronto atendimento.
O governo vota um Estatuto do Idoso para enganar a população, com um artigo determinando que quando o idoso não tem estrutura familiar e financeira para se manter, a sua manutenção é de inteira responsabilidade do poder publico.
Aqui um hospital público obriga um asilo que vive de esmolas, gastar R$ 600,00 por mês para pagar um acompanhante, alegando que falta funcionário.
Como pode faltar funcionário em um hospital enquanto as salas da burocracia estão entupidas de funcionários sem função, e as gavetas cheias de contra cheques que o dono sequer se dá ao trabalho de buscar?
A morte dos policiais foi um castigo muito duro para suas famílias e para a sociedade.
Esta violência precisa ser freada e isto acontecerá a longo prazo.
Sair atirando para todos os lados não é a melhor solução.
O abandono vem de muitos anos!
Os filhos maltratados estão ficando indignados.
Os herdeiros da miséria estão se multiplicando.
E precisam de escolas de qualidade, cursos profissionalizantes para os adolescentes, um local agradável para as crianças freqüentarem, quando saem da escola para ficarem perambulando pelas ruas.
Poucos são os que têm uma família esperando com carinho em condições de ajudá-los nos trabalhos de escola. Precisam de um serviço de saúde humanizado e eficiente, para tirar de circulação as malditas ambulâncias de políticos que carregam qualquer coisa a troco de voto.
Precisam de investimento em praças de esporte, com profissionais de verdade, no lugar de candidatos fracassados ou de cabos eleitorais puxa-sacos, que ocupam cargos técnicos, como bonecos de marionete.
Talvez a melhor solução seja o fechamento do congresso nacional e todas as câmaras de vereadores e a convocação de uma nova eleição.
Ou os que aí estão percebem de vez que a paciência dos pobres já chegou ao limite?
Tem como resolver!
Basta querer.
Basta ser justo.
Basta simplesmente, fazer cumprir e também respeitar a lei.
E não deserdar os filhos da ignorância e da pobreza.
Os verdadeiros filhos de Deus.
Se for feito um mutirão para dar dignidade ao povo.
Com certeza: A paz e a vida voltarão a ser irmãs e o povo voltará a sorrir.

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