21 de set de 2010

COLOCAR A CARA A TAPA.




Hoje durante a caminhada de todos os dias, uma chuva fina lavou o meu rosto, e meus olhos se umedeceram com a água que vinha do céu, e com a que brotou em forma de lágrimas quando observei mais atentamente o leito onde antes corria o rio da minha infância. No lugar da água, uma coisa pastosa nem de longe faz lembrar que naquele local crianças brincavam livres, e os adultos pescavam peixes que eram saboreados em família.
O que restou desta água pura e fonte de vida nos mostra uma natureza teimosa ainda acreditando que o homem vai mudar hábitos de destruição, e voltar a conservar aquilo que nunca deveria ser destruído, mesmo em nome do progresso.
Muito do que foi destruído poderia ter sido preservado.
Margeando o antigo rio, uma obra faraônica com projeto de engenharia superdimensionada dá continuidade a uma das mais largas avenidas da cidade, porém em uma área sem grande movimento e longe do centro.
Não levaram em consideração a agressão ecológica e o impacto na qualidade de vida das futuras gerações. A extração de areia com a aprovação, ou a conveniência política a troco de voto veio para completar de vez a degradação da área, e tirar a vida de arvores que resistiam ao tempo que foi menos implacável que o homem.
E o interessante é que os boatos na cidade revelam que os terrenos ao lado das pistas de primeiro mundo, são de propriedade dos políticos influentes da cidade.
Detesto ter de citar o EUA como exemplo de qualquer coisa, mas hoje uma reportagem sobre a futura eleição mostrou que lá os jovens estão se interessando pela política.
Isso me encheu de esperança, porque os jovens de todo o mundo serão os grandes responsáveis pela mudança. E para isso terão que dizer não à destruição, e consertar a herança maldita que estamos deixando.
Se os jovens do nosso país não tomarem uma postura de luta contra os crimes ecológicos, um futuro de morte pode chegar mais cedo do que eles possam imaginar.
Se os jovens brasileiros não tomarem uma postura de luta contra a corrupção que transforma eleitores humildes em vendedores de votos, e eleitores conscientes em traficantes de influência que querem conseguirem alguns benefícios, sem ao menos se preocuparem o quanto estão sendo usados pelos políticos para enriquecimento ilícito.
O país continuará sendo destruído, e sempre será de terceiro mundo.
Ainda dá tempo.
Basta querer lutar.
E não ter medo de colocar a cara a tapa para preservar a natureza e a dignidade do ser humano.


                                       

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