19 de set de 2010

CARTA FORA DO BARALHO

Daqui alguns dias a internet vai estar infestada de mensagens políticas pedindo voto, tentando mostrar que o fulano é melhor que o sicrano e assim por diante.
Estou tranqüilo para dissertar sobre este assunto, porque não morro de amores por nenhum dos partidos e decido o meu voto pelo que o candidato representa como pessoa.
Se acaso a pessoa em quem eu votar conseguir se eleger e de uma hora para outra passar a ser simplesmente mais um membro da quadrilha de gravata, certamente serei o primeiro a denunciá-lo e cobrar a coerência perdida.
Como cidadão preocupado com o futuro dos meus filhos e com o todos os jovens da sua idade, senti necessidade de escrever, e assim contribuir dentro das minhas limitações, tentar fazer as pessoas refletirem sobre o futuro do nosso país.
Há exatamente quinhentos e três (503) anos a elite, na pessoa do rei de Portugal sentiu necessidade de expandir seu território. Suas caravelas aportaram nas costas brasileiras para começar o saque que continua até hoje e a matança dos donos da terra, que até hoje continuam morrendo abandonados nos grotões e sendo chamados de invasores e grileiros, de terras que pertenceram aos seus antepassados.
Foram criados órgãos de governo para cuidar deste povo e que só serviram de cabide de emprego e abrigo para os exploradores.
Como a terra descoberta era muito extensa foi preciso repartir em sesmarias para que a administração pudesse ser descentralizada.
Hoje em praticamente todos os estados este regime ainda predomina, a terra é propriedade de uma minoria formada por multinacionais, e pela maioria dos políticos que conservam o ensinamento do coronelismo e dos senhores de engenho.
Em todos estes anos a direita elitizada criou um modelo de sociedade onde o pobre é mero instrumento de voto. Implantaram em todas as esferas do governo uma rede de corrupção tão perversa que obriga pessoas honestas se esconderem como bicho em extinção.
Mudaram governos, criaram regimes, ditaram leis, implantaram ditadura, a cada vez que uma burrada era cometida, mudavam a moeda de tal forma, que poucos brasileiros conseguem saber quantas já tivemos.
Em fim, desde que o Brasil foi descoberto a elite fez o que bem entendeu:
Elegeu quem bem entendeu.
Cassou quem acharam que precisava.
Matou quem precisava morrer para enterrar junto as provas da corrupção.
Fizeram do país um clube fechado onde só podia entrar quem tivesse vocação para trambiqueiro, dedo duro ou leão de chácara, para ser capacho com a incumbência de tirar do caminho quem ousasse desafiar os donos do poder.
O que esta casta de salafrários não esperava é que um dia a esquerda que sempre foi a pedra do sapato chegasse ao poder.
Aconteceu!
A elite se sentiu traída.
Derrotada.
Ofendida.
E tratou logo de se armar para evitar que a esquerda continue no governo.
Quem sempre foi conivente e beneficiado pelas falcatruas, hoje tenta esfregar na cara do povo, todas as maracutaias deixadas como herança maldita e que ainda moram em alguns gabinetes como se isto fosse novidade.
Elas sempre existiram.
Elas sempre tiraram o pão da boca do pobre.
Elas sempre tiraram do pobre um serviço de saúde decente.
Elas foram responsáveis pelo abandono dos jovens jogados nos braços da droga.
Elas empurraram as famílias para debaixo dos viadutos ou para os cortiços onde o pobre precisa dividir seu espaço com marginais fardados ou não.
As maracutaias construíram impérios e levaram para fora do país o dinheiro que deveria ser usado para construir escolas, hospitais, enfim, construir o futuro do nosso povo.
E a maioria dos políticos hoje eleitos são herdeiros.
Muitos são donos.
Criadores desta rede de sacanagem imposta a um povo pacífico que luta como um bravo para sobreviver com um salário mínimo, que qualquer cãozinho destes cachorros de gravata consome em dobro visitando salão de beleza para beldade canina.
O roubo sempre existiu.
A grande maioria dividia o bolo, uns com fatias maiores, outros com fatias menores poucos ficavam de fora.
Tudo transcorria tranqüilo.
De vez em quando alguma coisa saía na mídia para dar satisfação à sociedade.
Não era necessário mostrar muita coisa, não precisava tirar ninguém do poder.
Não havia necessidade de detonar nenhum partido.
Quando as posições se invertem, porque o povo assumiu o papel que há muito tempo deveria ter assumido, para mudar a cara do país, a necessidade de derrubar para novamente ser o dono do poder ganha novas dimensões.
É preciso detonar e acabar de vez com um trabalhador que teve a ousadia de assumir a presidência.
É preciso mostrar a esta “gentalha” que ousou mudar o poder quem são os donos do país.
Um trabalhador sem nenhuma formação acadêmica, mas com passado de causar inveja na luta a favor dos trabalhadores sempre excluídos, cometeu o disparate de bater nas urnas os caciques e coronéis que sempre fizeram do pobre uma escada para alcançar o poder.
É bem verdade que alguns membros do partido se deixaram levar pelo canto da sereia e também fizeram o jogo sujo da elite, aprendendo depressa demais a lição deixada desde o descobrimento.
Mesmo com todos os erros de principiante de quem quer acertar e precisa aprender a conviver com o que antes era impossível, na minha modesta opinião, devemos lutar com todas as forças para que a elite não volte ao poder.
É preciso que todo eleitor, por mais necessidade financeira que esteja passando, não venda a sua dignidade, como se a sua honestidade fosse mercadoria de camelô.
Se for preciso, receba tudo que o sacana estiver disposto a dar e na hora, vote em alguém da sua confiança ou que nunca tentou lhe comprar.
Não acredite em promessa para depois da eleição, porque assim além de vendidos irão se transformar em verdadeiros idiotas.
Não podemos deixar que os professores das falcatruas e maracutaias voltem a dar as cartas.
Por um bom tempo esta raça de político que nunca trabalhou de verdade, que criaram seus filhos mamando nas tetas do governo, precisam ser descartados.
Tirando alguma exceção
A grande maioria precisa ser CARTA FORA DO BAR

Nenhum comentário:

Postar um comentário