19 de set de 2010

CARRASCO E BENFEITOR


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O tempo é carrasco e benfeitor. 
Desde nosso nascimento ele nos impulsiona para o fim 
Quando se está na flor da idade o tempo é coisa do futuro, quando a maturidade e a velhice chegam sem avisar, ele torna-se coisa do passado. 
Uns envelhecem cedo demais, outros parecem conseguir vencer o tempo, respira e transmite ares de jovialidade, até que ele implacavelmente dá um basta. 
No intervalo entre a juventude e velhice, o tempo vai deixando marcas físicas e psicológicas difíceis de cicatrizar. 
É comum vermos personagens ridículas querendo esconder os anos que já vividos, achando que descobriram a fonte da juventude. 
Uma pequena parte da população acha que o dinheiro pode vencer o tempo, apelam para cirurgias estéticas que mudam o visual, mas com certeza não aumenta o tempo a ser vivido, porque a cirurgia plástica não consegue consertar nada por dentro. 
Alguns ficam artificiais em demasia. 
Esta mesma pequena parcela da sociedade, consegue prolongar a vida, pagando a preço de ouro o tempo adicional oferecido pela medicina elitizada e de ponta, inaccessível para os mais pobres. 
E isto também dura até certo tempo. 
Porque o tempo é carrasco, e cobra na hora e na medida que ele mesmo determina.
A única maneira de torna-lo benfeitor é vivendo harmoniosamente, respeitando a natureza e o limite que cada pessoa determina para sua vida. 
Enfim, buscar a felicidade. 
Porque ela é o termômetro que mede o prazer. 
E o prazer tem a magia de fazer o tempo parecer passar devagar, mesmo sabendo que ele é igual, isto quer dizer, uma hora é uma hora, na alegria ou na tristeza. 
Ele não acelera e nem diminui. 
O que faz a diferença é maneira de como o encaramos. 
Esquece-se das horas quando se está em festa ou em estado de graça. 
Amaldiçoa os minutos na dor e no sofrimento. 
E o tempo permanece imutável.
E não pode ser vencido. 
Pode e deve apenas ser compreendido. 
Quando deixamos a vida correr seu curso natural, fazendo as intervenções apenas para manter o equilíbrio que a natureza permite, o tempo é prazeroso. 
Algumas pessoas conseguem fazer dele um companheiro, assim convivem harmoniosamente mais tempo do que o normal. 
Isto se chama respeito.
Isto se chama sabedoria. 
Apesar do calendário marcar dia após dia, e o relógio cravar até milésimo de segundo, o tempo não pode ser medido, porque o parâmetro de medição é a vida das pessoas e das coisas que as cercam. 
O tempo de cada um vai ser mais longo ou mais curto, de acordo com as agressões ou benfeitorias a que forem submetidos o corpo e a mente, que devem estar sempre em um sincronismo perfeito. 
Para muitos o tempo é carrasco.
Para uns o tempo é benfeitor


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