31 de ago de 2010

A GENTE SE ACOSTUMA


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   QUE NÃO PENSA NA FAMÍLIA COMO UM TODO

Hoje eu quero fazer uma pergunta, quem tiver uma resposta plausível não deixe de entrar em contato.
Onde estão os Pacientes que eram tratados nos Manicômios? 
Sei que muitas vezes escrevo baboseiras, talvez por falta de conhecimento acadêmico, escrevo aquilo que me incomoda e ultimamente isso está muito presente na minha vida. 
Sempre me pego questionando porque não frequentei uma universidade, também muitas vezes acho que valeu a pena não ter me transformado em um doutor. 
Doutor não sei de quê! 
Que me desculpem os profissionais que enfrentaram anos de estudo madrugada a dentro para conseguir um diploma. 
O problema é que o diploma não ensina lutar, pelo contrário, muitas vezes engessa pensamentos e ações. 
Porque a saúde do país é ruim? 
A culpa é só do governo que se preocupa com obra, e acha que o cemitério é o lugar ideal para enterrar os problemas de saúde? 
Quando alguém morre por falta de medicamento e o atestado de óbito esconde a causa real da morte, a culpa é de quem? 
Quando um hospital fica um ano sem comprar curativos e alguém diz que é um item muito caro, e liberam pacientes cheios de escaras para morrerem em casa, a culpa é só de quem não comprou? 
Quando alguém à espera por uma cirurgia que pode salvar sua vida recebe um telefonema cancelando o procedimento, com desculpa esfarrapada que a “Máquina” está quebrada escondendo a falta de um fio cirúrgico de R$ 10,00, a culpa é só de quem não comprou? 
De quem realmente é a culpa? 
Do governo que não comprou o remédio e o material ou do profissional que finge não ver? 
Porque não denunciar? 
Medo de perder o emprego? 
Comodismo? 
Ou como se diz nos corredores: “A gente se acostuma”! 
O que será que os psiquiatras e os psicólogos, pensam do atendimento ao pobre com problema mental, que a partir de 1987 teve sua internação proibida por lei?
Que o lugar dele é junto com os familiares? 
Isso seria o paraíso, mas onde é o lugar dos familiares? 
Ao fecharem os manicômios onde os doentes eram tratados por carrascos e torturadores transvestidos de médico e enfermeiros graduados em grandes universidades, reprovados na faculdade da vida e maus alunos na matéria: Ser humano. 
Outros animais chegaram à brilhante conclusão que a melhor solução seria mandar os doentes para casa. 
Para junto da família. 
Brilhante ideia! 
E quando não tem casa? 
E quando não tem família? 
Algum profissional da área foi contra? 
Se alguma entidade foi contra onde foram parar os manifestos, onde foram parar os pobres doentes e os doentes pobres? 
Para casa certamente a maioria não foi. 
E os que adquiriram a doença depois? 
Junto com a família o tratamento é humanizado? 
Quando ela é rica coloca o doente em uma clínica particular, visita por um tempo, depois a ignoram e está resolvido o problema. 
Quando a família é pobre suporta e sofre por algum tempo, então procura um asilo de caridade. 
E os asilos de verdade deixaram de existir. 
Ao fechar os centros de internação destes doentes, os doutores decretaram também o fechamento dos asilos de caridade onde o pobre no gozo da sua faculdade mental pudesse terminar seus dias dançando passeando, jogando um baralho, fazendo sua ginástica, enfim, vivendo com dignidade 
Espero estar enganado e que alguém possa me esclarecer. 
E vem um babaca dizendo que a palavra asilo está proibida, que estas casas devem ser chamadas de Lares. 
Lar! 
Onde estão os filhos, os irmãos, a esposa e o marido para constituir este lar? 
Perto da minha casa tem asilo (Lar) com cinquenta e cinco internos onde a maioria é acamada e com sérios distúrbios mentais?
Um psiquiatra ou psicólogo visitam estas casas regularmente? 
Onde eles estão? 
Nos consultórios acarpetados esperando o biruta para pagar uma consulta. 
Aí criaram os CERSANS. 
Uma vez por mês, a maioria dos doentes toma um “sossega-leão” para deixar a família dormir algumas noites em paz. Em alguns casos são recolhidos durante o dia e devolvidos à noite. 
Eu disse recolhido porque esta é a palavra mais adequada que pude pensar. 
Uma cidade com quatrocentos mil habitantes tem apenas sete leitos para acolher estes pacientes. 
É muita crueldade terceirizar esta internação sem pagar um centavo. Obrigar as instituições de caridade acolher estas pessoas é levar à loucura os moradores lúcidos, os funcionários que não estão preparados e os voluntários que ficam sem ação. 
Esta é uma obrigação do poder público. 
E quem tem plena condição e conhecimento para lutar contra esta barbárie, são os profissionais da área envolvida, psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais. 
Os conselhos de classe como o CRM que não sei a que veio.
É aí que mora o perigo, eles entendem muito de leis e as seguem religiosamente, entendem pouco ou nada de caridade e não fazem questão de aprenderem. 
Que continuem fechados os Manicômios, que se abram casas de acolhimento gerenciadas por seres humanos de verdade que não precisem votar ou pedir voto para alguém. 
Que poderão esquecer de vez a frase: A gente se acostuma 

Um comentário:

  1. Geraldo, outro dia ouvi de um padre que o bem maior que Deus nos deu não é essa vida, e sim a vida eterna, essa vida passa, e devemos sofrer com paciência; com sertesa essas pessôas estam com DEUS, eu tambem vi muitas veses na TV essas pessòas nos manicôimios, tratados não como animais, pois animais são bem tratados, ou eles se viram para sobrevivêr, faz parte da naturesa, não tenho palavras para expressar tamanha crueldade com seres humanos, o que faziam com os doentes mentais, mais com sertesa Deus olha por eles..

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