24 de ago de 2010

A CASA DE BATATAS FRITAS

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VOCÊ VAI CONSEGUIR LER SEM LAMBER OS LÁBIOS?

Acho que estou ultrapassado, sei que não mais se começa uma história com “era uma vez”. Mas esta eu faço questão de começar assim. Estou contando para meu filho, deitado em uma rede iluminada pela luz de uma lua cheia, e pelo brilho que vem dos seus olhos.
Vou chamar este menino de João, José, ou Maria em homenagem a todos os meninos e meninas que nunca ouviram uma história contada com carinho.
Era uma vez um menino chamado João, que foi passar férias na casa da vovó que morava em uma casa muito bonita, cercada de árvores por todos os lados nos arredores de uma pequena cidade do interior.
Eu sei que em muitos lugares não existe mais casa de vovó para se passar férias sem videogame e computador.
Mas aqui essa casa existe e pode ser chamada de paraíso.
Um dia, correndo atrás dos passarinhos o pequeno João entrou no meio de umas árvores, e seguindo uma trilha, não é que sem perceber deu de cara com uma casinha, que nem se sabe como surgiu ali.
O menino olhou admirado!
E espantado, percebeu...
Era uma casa toda construída com batatas fritas.
Passado o susto, deu água na boca.
As paredes foram erguidas com aquelas batatas compridinhas e crocantes que se servem na praça de alimentação ou em qualquer restaurante, sem que a maioria descubra o segredo de se fazer tão gostosa iguaria. Olhou para cima, e levou um susto quando percebeu que o telhado era feito daquelas batatas quase redondas que a mamãe sempre faz com carinho.
Quase não acreditou quando viu que o caminho que levava até a porta era forrado com batata palha, iguais àquelas compradas em pacotes nos supermercados.
Ele não resistiu.
Lambeu os lábios com um sorrisinho matreiro e gritou:
- Oh, de casa!
- Mora alguém aí?
Torceu para ninguém atender.
A porta se abriu e um homem alto e mal-humorado veio resmungando.
- O que você quer? - Não gosto de crianças e não quero que venham comer minha casa!
- Vá embora! E furioso entrou batendo a porta, que deixou escapar aquele cheirinho bom que dava vontade de sair mordendo a casa inteira.
E o João ficou ali abobalhado, por algum tempo parado sem saber o que fazer.
Não sabia se ia embora contar tudo para a vovó, ou atender o chamado do estômago e dar umas belas de umas mordidas naquelas apetitosas paredes.
De novo olhou para cima como quem acredita: Deus existe!
Mais uma vez gritou:
- Oh, de casa.
O grandalhão saiu em passos largos e perguntou.
- Você de novo, o que quer, porque ainda não foi embora? Já disse que não gosto de criança!
- Eu ouvi, disse João, só queria conhecer a sua casa, prometo que não mordo nem um pedacinho, mesmo que isto me custe muito sacrifício.
Está bem disse o homem: Pode entrar!
O menino doido de curiosidade e de medo nem percebeu que o dono da deliciosa casa havia permitido sua entrada, perguntou: como o senhor se chama?
Ele respondeu entre dentes: - Batonildo, e você?
O menino respondeu: - João, e pensou consigo mesmo.
Só podia ser... Dono de uma casa feita de batatas!
O garoto entrou, e aí sim, quase caiu desmaiado de tanto espanto e vontade de sair dando mordidas para todos os lados.
As paredes eram pintadas com maionese, catchup e mostarda.
A mesa da sala era feita de quatro enormes hambúrgueres, daqueles que quando são virados na chapa inundam o ar com cheiro de fome.
No contorno da mesa, dois enormes bancos feitos de salsichas, daquelas que se viradas no molho trazem o gosto do pecado da gula.
Na cozinha, quando as torneiras eram abertas jorravam todo tipo de sucos e refrigerantes, tão geladinhos que refrescam até a alma.
- Gostou do que viu? Perguntou o dono da casa.
- Adorei, disse João, com ar de quem não está acreditando, nunca vi nada igual! É realmente de dar água na boca e de fazer o estomago roncar.
- Vou te contar um segredo, disse Batonildo.
- Esta casa nunca poderia ter sido descoberta, agora que isso aconteceu é preciso que alguém a coma o mais depressa possível, do contrário, ela vai desaparecer como um toque de mágica, como não consegue fazer isso sozinho, acho melhor correr e chamar seus amigos.
E o inquieto João ficou outra vez espantado. E perguntou: - Comer a casa e o senhor onde vai morar?
Ah! Eu tenho que arranjar outro lugar. Vá depressa, o tempo está passando!
João não perdeu tempo, com os olhos faiscando de felicidade saiu em disparada rumo à casa da sua avó, que aflita o procurava por todos os cantos da fazenda.
- Onde você se meteu?
- Eu fui passear na clareira e sabe o que encontrei?
Antes que alguém perguntasse, foi logo dizendo: uma casa de batatas fritas.
- Está ficando maluco?
Então ele chamou todos os primos e amigos, e saíram em disparada para a clareira.
Chegando lá, cadê a casa?
Não existia casa nenhuma.
O menino ficou triste, e sem saber o que dizer.
Aí descobriram que ele adormecera debaixo de uma árvore, e sonhou com a tal casa.
Mas de repente, um cheiro muito bom invadiu o ar da clareira, correram todos para casa, e lá estava uma mesa cheia de batatas fritas, de hambúrgueres, e de cachorros quentes que todos comeram com muito apetite.
Seria bom se em todos os lugares tivesse uma árvore, onde todos os meninos e meninas pudessem adormecer e sonhar sem nenhuma preocupação.
Seria bom se ainda existissem avós que preparam hambúrgueres e batatas sem se importarem se os netos irão fazer ou não uma lambança na cozinha.
Deve existir.
Do contrário...
Deus não existiria.

3 comentários:

  1. Um que historia deliciosa eu e Pedro adoramos parabén. Abraço; Julia.

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  2. Olá estimado Geraldo,

    Lindo sonho, que o menino João teve.
    Graças a Deus, que depois virou realidade.
    Os avós são muito importantes na nossa vida.
    No meu blog, eu escrevi um texto dedicado ao meu avó materno, de seu nome, também, João.
    Gostava, que o lesse, quando lhe for possível.

    Abraços de luz.

    Mas quantas luzes eu sou? Sou fogo, sou simplesmente, sou que incendeia... Obrigada.

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  3. Êi Geraldo...que texto legal!! Li e fiquei com água na boca. Parabéns pela criatividade.

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